-A Última Rosa-
Dois homens se encontram em um galpão abandonado.
Logo pela manhã conversam sobre muitos assuntos,
acontecimentos globais, acontecimentos mundiais, política e religião.
Logo a sua frente, uma moça assustada parada no ponto de
ônibus, perguntando a Deus o que faria ali justo naquele momento.
Os dois homens com seu papo machista sobre que as mulheres
trabalham em casa, começam a rir descontroladamente.
A moça por sua vez se pergunta:
“Ele está louco?”
Assustada então a moça se ajeita com um tom de desconforto, o
homem então se cala, pega seu cigarro e então procura o fogo.
“Onde diabos eu deixei...?” - Pensa o homem um pouco
estressado.
-Com licença, a senhorita não teria, fogo? –Pergunta o
homem.
O homem com sua veste um pouco desgastada, sua camisa
branca, cachecol preto e sua jaqueta grossa de camurça marrom e sua luvas de
couro, ascende seu cigarro, agradece a moça e por ali fica parado, como se
admirasse o dia de frio de pouca chuva.
-Lindo dia não acha?
-Um pouco, apesar da chuva... –Responde a moça cada vez mais
assustada.
-Sabe... As pessoas deveriam aprender a ver o outro lado das
coisas, as pessoas apenas procuram o lado lindo da vida, as coisas boas sempre
são boas, mas no fim, sempre acabam as destruindo. Afinal, será que as coisas
boas não podem passar de simplesmente ilusão? O belo nunca pode ser eternamente
belo, assim como a vida nunca poderá ser eterna.
-É um pensamento um pouco diferente devo dizer, mas devo
concordar, sempre que procuramos as coisas boas, acabamos tristes e sozinhos e
quando as coisas ruins aparecem, simplesmente aprendemos e nos reerguemos e
deixamos a vida continuar melhor que antes...
-Um pensamento bastante intrigante. E o amor? O amor não deve ser sentido, muito menos falado, o amor
deve ser escondido e apenas desejado. Transmitido em silêncio é em segredo que
o coração do homem vive, afinal, seus maiores e mais perversos desejos nunca
são ditos, por medo de um Deus, cujo não tem definição entre masculino,
feminino, bom ou ruim. Afinal, minha cara, o que realmente é bom? O medo que
sentes em estar aqui conversando comigo, um homem de veste gasta, um desconhecido em um lugar como
este... Será que este medo não é uma coragem pelo desconhecido? A certeza em
vida é a morte, somente a única que temos.
A mulher assustada, em sua cabeça concordou que realmente
era aquilo mesmo, seu medo se tornará uma coragem para conhecer alguém que ela
já dizia “Tão inteligente”.
Depois de muito tempo de papo o homem entrega um papel com
seu telefone e ressalta a moça:
-Se quiser marcar de tomar um café é só me ligar, achei
interessante suas ideias assim como percebi que as minhas vos interessou
também. Não se preocupe que não sou nenhum tipo de cafajeste, muito menos
louco, sou um homem poeta solitário a procura de novos pensamentos.
A moça então com um sorriso no rosto e um sentimento de
dúvida, apenas vê o homem se afastando lentamente e sumindo entre a neblina.
O frio era um pouco forte, o tom de voz do homem ainda fazia
aquela moça se lembrar de cada olhar, porém, suas palavras foram
esquecidas. Mas ainda podiam ser sentidas.
Logo à noite o homem recebe um telefonema. Sim, era aquela
moça.
Depois de um tempo de conversa no telefone e algumas
perguntas sobre aquele homem misterioso que nem ao menos seu nome foi dito, a
moça o chama para sair.
-Desculpe perguntar, mas como é seu nome? Aquele dia não tivemos
a chance de saber o nome um do outro...
-Meu nome é Joseph. E o seu?
-Meu nome é Anna. Anna Stene.
Logo quando cai a noite, às oito horas no parque central da
cidade, os dois se encontram, Joseph havia levado uma carta. Algumas palavras
foram escritas em uma folha velha e amarelada...
A carta dizia:
Durante tempos de
nossas vidas, passamos por muitas fases.
A infância, a
juventude, a fase adulta, daí então ficamos velhos e morremos.
Muitos por câncer ou
alguma doença causada que somente foi pensada e arrependida quando se viu a
negatividade que aquilo causou.
Muitos também morrem sem saber quem tanto podiam ser.
Fases da vida também
que passamos: a felicidade, a tristeza, o amor e a dor da perda.
A vida e a morte
também é uma fase. A menos desejada, porém a mais bela é a nossa própria morte.
Nada realmente interessa o homem, se não o oculto, o misterioso.
Tudo o que sabemos,
sabemos e pronto e mais nada importa.
Sempre estamos
procurando aprender algo novo, mas nunca procuramos aprender quem realmente
somos.
Já dizia um poeta: o homem tem muitas formas, assim como muitos Deuses e crenças.
Não somos nada e
também somos tudo.
Quando o homem sofre
de mais, uma hora ele sabe que vai passar, este momento é quando ele sente a
própria morte, seja ela física ou espiritual.
Quando o homem morre,
ele se torna o que vocês chamam de “frio”, o que eu chamo de “real”.
Muitos de nós não
estamos preparados para saber do que somos capazes e quem podemos ser.
O maior medo é
sabermos que as pessoas em nossa volta nunca estarão preparadas para realmente
descobrir quem somos. Apenas se importa com quem fomos.
A questão é:
Quem é você?
Quem somos e o que somos?
Por nome, idade e
endereço somos apenas homens, mas quem você realmente é?
O que você faria por
um grande amor?
Até que ponto você
lutaria por ele?
A vida do homem é o
amor, mas o mesmo pode virar ódio, assim como pode rapidamente se tornar amor
novamente.
Não existe tempo, muito
menos felicidade, existe apenas a vontade do Ser.
“Eu estou triste” e
você vai ficar.
Aceitamos aquilo que
queremos aceitar e nos transformamos naquilo.
Se dizem que Deus faz
as coisas por nós, então que este Deus tenha vários nomes, o seu, o meu e o das
outras pessoas.
Ressalto novamente a
mesma pergunta: Quem é você? Do que você é capaz? Até aonde lutaria por um
grande amor?
Agimos por impulso,
por raiva, mas depois tentamos arrumar aquilo que já foi perdido.
Muitas coisas e
pessoas perdemos, mas nunca perdemos realmente.
É como eu disse:
Aceitamos aquilo que sentimos.
Eu me tornei um homem
morto, pois experimentei fases de minha vida.
Cheguei ao meu amor
extremo e muitos dizem que não, mas sim, somente eu posso sentir aquilo que
realmente passei.
Mas um homem morto
nunca é feio, pois ele vive da realidade.
Ele é poeta, ele é artista, ele é solitário, ele tem amigos e família, mas mesmo assim é vazio e a única coisa que o preenche é o seu reconhecimento sobre sua vida.
Nossa morte é a nossa
única realidade.
Todos trabalham,
ganham seu dinheiro, gastam.
Compram casas, carros
e formam uma família.
Tudo isso será
perdido.
Uma hora ou outra.
Ganhamos hoje e amanha
somos roubados.
E por ironia do
destino, somos roubados e minutos depois a policia aparece.
Afinal, por que não
antes?
Muitas perguntas são
feitas e poucas respondidas.
A única certeza em
vida é a morte, o único sentimento é o amor.
Mesmo um homem como
eu, mesmo um homem morto é capaz de lutar.
Lutar apenas pelo seu
amor, não pela pessoa, mas pelo o que sente.
É disso que
precisamos, amor.
Mas e você?
Quem é você?
Até aonde você lutaria
por seu amor?
Você morreria por ele
e nasceria novamente por ele?
Viveria dele?
Quais são seus medos?
E porque apenas olhar
um campo bonito e não admirar um cemitério horrível?
Lembre-se: Nem sempre o belo pode
ser belo.
Assim como nem sempre
a vida pode ser vida.
-Jack Rose-
Assim que Anna terminou de ler, percebeu que ninguém esteve
ali.
Sua mente brilhante mostrou-lhe o que deveria ser sido
visto.
Sua solidão mostrou o quão grande era para si mesma.
E os dois homens?
Como eu diria: O “Eu” e o “Ego”.
Mas agora eu vos pergunto:
Quem é você?
Até onde você lutaria por seu amor?
Você morreria e voltaria a viver por ele?
Quais são seus medos?
-Joey Spooky Rose-

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